O chá de mulungu costuma chegar até as pessoas por indicação. Alguém comenta que usa quando está mais agitado, outra pessoa diz que toma antes de deitar e logo a planta entra na lista de opções de chá para dormir.
Até aí, parece apenas mais uma erva para colocar na água quente, certo?
Só que basta abrir o pacote para perceber que o mulungu é diferente. Em vez de flores ou folhas secas, você encontra literalmente pedaços de casca. 😳
Hoje vamos entender mais sobre esse chá tão curioso e por que pode ser interessante para você preparar uma xícara dele.
Abriu o pacote e encontrou pedaços de casca? É isso mesmo
O mulungu, ao contrário de muitas plantas que costumamos usar na preparação de chás, possui uma característica que chama atenção logo de cara. Ele é uma árvore, sendo a casa do caule a parte que utilizamos para fazer a bebida.
Na camomila, usamos as flores. Na hortelã, as folhas. E na erva-doce, são os frutos que entram no preparo.
No chá de mulungu, trabalhamos com a parte mais rígida da planta. Por isso, não dá apenas para esperar que o chá apareça colocando a casca na xícara e despejando água quente em cima como qualquer infusão.
Existe um jeito certo de preparar essa matéria-prima e extrair seus componentes para a tão sonhada xícara de chá.
A casca pede um preparo diferente
Como a matéria-prima do chá de mulungu é mais rígida, a preparação é feita através da decocção.
A decocção é um procedimento que mantém a parte da planta em contato com a água durante o aquecimento. Ou seja, a casca vai para a água enquanto ela é aquecida, diferente da infusão em que você normalmente coloca folhas ou flores em contato com a água já quente.
Para os adultos, a referência brasileira traz como proporção ideal para o preparo: 0,5 g de casca do caule para 150 mL de água.
E essa orientação considera o uso da casca rasurada, ou seja, cortada em pedaços menores.
Foi o uso para ansiedade e insônia leves que levou o mulungu até a cabeceira
Sintomas como ansiedade e dificuldade para dormir sempre fizeram parte da experiência humana. E há muito tempo as pessoas recorrem às plantas quando procuram maneiras de desacelerar à noite ou lidar com períodos de maior agitação.
O chá de mulungu foi um dos que ganharam espaço nesse tipo de uso.
Essa relação aparece, inclusive, na referência brasileira, que apresenta a preparação como auxiliar no alívio da ansiedade e da insônia leves.
Claro que afirmar que o chá de mulungu “ajuda a dormir” é uma simplificação grande demais para o que sabemos hoje. Ele pode auxiliar no alívio de quadros leves de ansiedade e insônia, então não é necessariamente uma bebida que vai fazer você pegar no sono de cara depois de tomar uma xícara.
O mulungu não é uma substância mágica que ajuda a tratar insônia ou que pode substituir medicamentos. Qualquer pessoa que está com fadiga demais ou passando muitas noites em claro, precisa falar com um profissional de saúde para chegar a uma avaliação.
E o chá de mulungu precisa ser tomado somente antes de dormir?
Não necessariamente. Apesar de o mulungu ter ficado conhecido como chá para dormir, a referência brasileira não limita seu consumo ao período da noite. O modo de uso descrito para o decocto é de 150 mL, três vezes o dia.
Se for a primeira vez que você experimenta a bebida, porém, pode ser mais confortável escolher um momento tranquilo, em que consiga perceber como o seu corpo reage sem ter uma atividade importante mais adiante.
É o caso de pegar a estrada, por exemplo.
E isso vale para qualquer planta que você ainda não conhece bem, na verdade. Antes de encaixá-la automaticamente na rotina, o ideal é fazer um teste e observar como se sente depois do consumo.
E há pessoas para quem essa xícara nem deveria entrar na rotina
Ah, sempre têm.
Pesquisadores não recomendam o uso durante a gestação nem a amamentação, e também não indicam a bebida para menores de 18 anos.
Pessoas com hipersensibilidade aos componentes da preparação também não devem utilizá-la. Nem aquelas que apresentam insuficiência cardíaca ou arritmia.
Essas considerações se devem ao possível efeito da planta, que é complexo e ainda não totalmente esclarecido em humanos.
Por isso, se alguma dessas condições faz parte da sua realidade, a orientação é simplesmente não usar a preparação sem antes pedir a avaliação de um profissional.
E como saber se eu preparei um chá de mulungu certo?
Comece olhando para o que veio no pacote.
Conferiu se é mesmo a casca do caule de Erythrina mulungu e não de folhas ou flores?
Então dá para seguir para a preparação.
A indicação é usar 0,5 g da casca rasurada para 150 mL de água e preparar a bebida por meio da decocção.
Quanto ao tempo de fervura, aí vai do método de preparo, já que a referência brasileira não estabelece um número específico de minutos para o mulungu.
Existem receitas caseiras que preferem manter a casca em fervura por alguns minutos, e portanto chegam a uma bebida de sabor mais marcado. Enquanto outras fazem um contato mais breve e resultam em um chá de mulungu mais suave.
Não use a cor, o amargor ou a intensidade da bebida como medida para decidir se “ficou forte o suficiente”.
Teste o sabor respeitando sempre a quantidade indicada de casca, até encontrar o equilíbrio que mais agrada ao seu paladar. 😊
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